Corpos hígidos: o limpo e o sujo na Paraíba (1912-1924) – 3a. edição

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A temática abordada no livro do professor Azemar é muito bem-vinda à historiografia da saúde e da doença, das práticas higienizadoras e dos discursos médico-pedagógicos que ordenam, disciplina e normatizam os corpos. É uma grande contribuição ao debate acadêmico, fundamental para repensar a construção dos corpos na Paraíba nas primeiras décadas do século XX. Tomando a cidade da Parahyba como recorte espacial, Azemar problematizou as cartografias do corpo, desde a sujeira das unhas, a unicofagia (roer as unhas), a agitação dos dedos, das mãos, dos lábios, dos braços encardidos, das maçãs dos rostos pintadas com ruge, das pernas depiladas com cal pulverizada, sulfidrato de soda e amido, do pescoço perfumado por Lubin. Fez do beijo um objeto de investigação, mostrando o proscrito em relação ao ato de beijar, conforme os escritos do doutor Flávio Maroja. Para cada gesto do corpo, Azemar designou palavras, fazendo falar as rugas da testa, o retesamento dos músculos, a tez queimada pelo sol escaldante da Parahyba, a reviravolta das mãos, as contorções dos braços. De cada aceno de um corpo sujo, de cada cadeira de uma Escola Normal, de cada escrito de um médico, o mesmo faz histórias, poesias, narrativas sobre o morrer, o adoecer e o viver nas primeiras décadas do século XX na Parahyba. Este é um corpo-livro para ler, uma história para contar, um testemunho para registrar! Iranilson Buriti

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A temática abordada no livro do professor Azemar é muito bem-vinda à historiografia da saúde e da doença, das práticas higienizadoras e dos discursos médico-pedagógicos que ordenam, disciplina e normatizam os corpos. É uma grande contribuição ao debate acadêmico, fundamental para repensar a construção dos corpos na Paraíba nas primeiras décadas do século XX. Tomando a cidade da Parahyba como recorte espacial, Azemar problematizou as cartografias do corpo, desde a sujeira das unhas, a unicofagia (roer as unhas), a agitação dos dedos, das mãos, dos lábios, dos braços encardidos, das maçãs dos rostos pintadas com ruge, das pernas depiladas com cal pulverizada, sulfidrato de soda e amido, do pescoço perfumado por Lubin. Fez do beijo um objeto de investigação, mostrando o proscrito em relação ao ato de beijar, conforme os escritos do doutor Flávio Maroja. Para cada gesto do corpo, Azemar designou palavras, fazendo falar as rugas da testa, o retesamento dos músculos, a tez queimada pelo sol escaldante da Parahyba, a reviravolta das mãos, as contorções dos braços. De cada aceno de um corpo sujo, de cada cadeira de uma Escola Normal, de cada escrito de um médico, o mesmo faz histórias, poesias, narrativas sobre o morrer, o adoecer e o viver nas primeiras décadas do século XX na Parahyba. Este é um corpo-livro para ler, uma história para contar, um testemunho para registrar! Iranilson Buriti